Carta aberta à cidade de Parnaíba

Cidade de Parnaíba | Foto: Gilson Brito - Acesso343
Minha querida Parnaíba,

Carinhosamente te chamamos de Parnaibinha de Nossa Senhora da Graça porque recebe as bênçãos e a proteção de tua excelsa padroeira a Mãe da Divina Graça. Também és conhecida como Princesa do Igaraçu em razão do caudaloso rio que te banha, o imponente Igaraçu, afluente do velho monge, que durante décadas serviu à navegação fluvial, transportando riquezas, pessoas, promovendo intercambio sócio comercial entre cidades do estado, do país e até do mundo. Ainda, Parnaíba, és conhecida como a Capital do Delta porque é o portal de entrada para aqueles que querem conhecer uma das mais belas e exuberantes paisagens brasileiras: o Delta do Parnaíba, que a governadora do Maranhão insiste em chamar de Delta das Américas, talvez porque ele seja o única delta em mar aberto nas Américas.

Com relação ao teu nome Parnaíba, há controvérsias entre os historiadores. Alguns dizem ter origem na língua tupi-guarani e significa “rio de águas barrentas” em alusão ao Parnaíba. Outros afirmam ser uma homenagem a Domingos Jorge Velho, um dos colonizadores do estado que nasceu na Vila de Parnaíba, em São Paulo. Mas há os que dizem que Parnaíba vem de parnahiba ( com p minúsculo mesmo) uma faca de retalhar carne, trazida da Bahia pelos primeiros fazendeiros que se instalaram na vila. Fico com a primeira versão. Aliás, conta a história, que quando da transferência da capital do Estado para Teresina, em 16 de agosto de 1852, os oeirenses, com raiva por Oiras ter perdido a condição de capital , propositadamente recolheram a água mais barrenta do rio e enviaram a Dom Pedro II para que fosse evidenciada péssimas condições da água, inviável para o consumo humano, ao passo que, o Imperador observou bem o polme assentado no fundo da garrafa, sacudiu-a, encheu um copo, bebeu a água e exclamou: - água mais saborosa do que esta , nunca bebi! Dom Pedro tinha razão. Costumamos dizer que “quem bebe a água do Parnaíba, quando aqui não fica para sempre, ou se vai embora, jamais esquece deste lugar”.

Ah, minha querida Parnaíba! Daquele longínquo 14 de agosto de 1844,quando o então governador do Piauí José Idelfonso de Sousa Ramos , promulgou a Lei nº 166 elevando-te à categoria de cidade, muita coisa até cá mudou. Passastes por notáveis transformações em todos os aspectos, e a tua elevação de vila à categoria de cidade não foi à toda. O governador de então, reconheceu a tua importância no cenário sócio econômico do estado, no país e no mundo, pois já possuías referências na Europa e em outros países, De lá para cá, repito, muita coisa mudou. És hoje o município piauiense mais importante depois da capital. Possuis uma população acima dos cento e cinquenta mil habitantes que te colocas na condição de segundo município mais populoso do estado. És a cidade universitária do norte do Piauí e prepara-se para em breve estar em pleno funcionamento a tua faculdade de medicina.

Mas, minha querida Parnaíba!, apesar das mudanças, das transformações havidas através do tempo, uma coisa não mudou: continuas bela, pitoresca, afetiva, acolhedora, com teus filhos trabalhadores, tuas mulheres bonitas, e continuas tendo um grande valor histórico para o Piauí pelas lutas dos teus antepassados, e pelo empreendedorismo dos teus filhos atuais que lutam, que trabalham para que continues sempre esta cidade altaneira, progressista, referência no estado do Piauí.

Acho que me alonguei um pouco minha querida Parnaíba, mas é que, mesmo sendo um filho adotivo, amo-te tanto quanto aqueles que aqui nasceram, e por esta razão gostaria de vê-la sempre desenvolvimentista, altaneira, no top do ranking dos municípios piauienses, mas para isso, necessitamos saber escolher nossos futuros dirigentes, que eles sejam sensatos, comprometidos com o teu desenvolvimento, porque se escolhermos errado corremos o risco de vê-la estagnada em seu progresso, e tenho certeza, os parnaibanos não querem retrocesso.

Por Antonio Gallas
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