Respiramos eleições

Jânio Holanda
Dizem que agosto é o mês do desgosto, no entanto, o antigo ditado popular parece-me que está ficando para trás cedendo lugar para outubro. Explico: é do conhecimento de todos que o brasileiro atualmente é obrigado a conviver com os sucessivos pleitos eleitorais que acotecem a cada dois anos. Vale salientar que neste espaço de tempo, os políticos ou “nossos representantes”, como queiram denominar estta classe, que domina e detém o comando das instituições estão sempre se movimentando em busca da continuidade no poder.

Percebe-se que quando termina uma votação e o resultado das urnas é conhecido tanto os vencedores como derrotados já se articulam para o próximo pleito aliando-se para continuarem mandando nas esferas do poder. No Piauí, as principais lideranças partidárias estão percorrendo todo o Estado e participando das campanhas dos candidatos às prefeituras municipais com vistas às eleições estaduais. Apesar de as eleições acontecerem apenas nos municípios, os caciques nos níveis estaduais e federais já começam a viabilizarem as bases que vão semear os caminhos da eleição seguinte.

Vale ressaltar, entretanto, que nesses poucos dias que separam as eleições de outubro tudo pode acontecer. Existem exemplos. Hoje, para não perder eleição e ficarem no ostracismo político, adversários ferrenhos se unem para permanecer no poder. Mesmo com a “fidelidade partidária” imposta pelo supremo, eles sabem como livrarem-se das rédeas de justiça eleitoral. Além disso, têm as brechas que até parece-me são deixadas para viabilizarem as petições dos advogados a favor dos infratores.

Entra Congresso, renova Congresso e as reformas na lei eleitoral não acontecem. Sabem por quê? Porque se isso acontecer àquelas velhas raposas, que sempre se elegem a custa do poder econômico/financeiro sairão prejudicadas, pois não poderão comprar os votos que os elegem sucessivamente. É preciso elevar o nível de consciência política especialmente dos que são enganados, aceitando a falsa ideia de que as eleições são, tão-somente uma oportunidade de obter, junto aos candidatos, meios para satisfazer suas necessidades materiais imediatas.

Infelizmente, em nosso país as instituições não querem contribuir para que neste ano de eleições municipais, os fiscais estejam preparados e organizados para inibir a ação daqueles candidatos que fazem do período eleitoral e da miséria da população um trampolim para conquistar um cargo político, que possivelmente será usado para interesses próprios.
Aguardamos!

Jânio Holanda - Jornalista
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