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As eleições venceram a seca

Jânio Holanda - Jornalista
Padre Cícero estava à frente de seu tempo: ele dizia que só o equilíbrio ecológico venceria as secas. Se não, o sertão iria virar um deserto. A desertificação que Padre Cícero temia acabou se tornando um fenômeno mundial, não apenas brasileiro, não apenas nordestino. O Sertão do Piauí mostra um retrato desse problema na região nordeste do país. Basta percorrermos alguns municípios da região do semiárido piauiense para se notar que o homem (político) é, ao mesmo tempo, um dos responsáveis e o caboclo a maior vítima.

No Piauí, por exemplo, entra ano sai ano, e os gestores que estão à frente do poder público estadual não tomam nenhuma medida concreta para erradicar ou pelo menos amenizar o problema. Todos já sabem que os prefeitos dos municípios tingidos decretam estado de emergência, em seguida o governador em exercício vai a Brasília e volta com as malas cheias de promessas. Apena isso.

Sem água, sem comida, as pessoas que residem nesses locais padecem a espera de minguadas cestas básicas e de água transportada em carros-pipa patrocinada em gotas pelos governos (nacional, estadual e municipal), mas insuficiente para o consumo humano. Tudo isso porque ninguém está nem aí para o sofrimento das pessoas que estão passando por essa situação.

Para as autoridades, o importante é o domínio do dinheiro, pois com ele nas mãos o seu destino é conduzido sob a fórmula da política. Este ano, época de eleições municipais os beneficiadas, foram apenas as pessoas da qual fazem parte do esquema que conduz e está encarregado de lidar com a problemática. É a indústria que não produz, mas é a que mais dá lucro.

As cisternas, que armazenam a água para atravessar os dias mais difíceis parecem que sumiram do mapa. Os candidatos, principalmente governistas, durante a campanha para as eleições, apregoavam que elas iriam multiplicarem-se no semiárido. Ficaram apenas as promessas, pois as eleições se foram e os eleitos apenas comemoram esquecendo tudo aquilo que dizia fazer em prol daqueles incautos eleitores.

Cada seca prolongada dificulta a vida de milhares de piauienses do semiárido. As adversidades do clima se juntam às práticas antigas e predatórias, a seca exibe seu pior retrato: a desertificação. Queimadas e desmatamentos transformam áreas férteis em solo improdutivo. No Piauí, a força da água rasga o chão, abre fendas gigantescas, chamadas de voçorocas. O solo levado pelas enxurradas invade os leitos de rios e riachos, que aos poucos vão secando. As erosões avançam onde havia mata, plantações, pastos. Casas são abandonadas.

Sabemos que a seca não vai acabar, mas alternativas para convivência do homem com ela existem: temos no semiárido uma riqueza enorme de plantas adaptadas ao ambiente seco que poderiam ser economicamente exploradas. Citamos alguns exemplos: como produtoras de óleos, Catolé, Faveleira, Marmeleiro e Oiticica; de látex, Pinhão, Maniçoba; de ceras, Carnaúba; de fibras, entre outras. Temos um número de plantas enorme e praticamente não se conhece nada sobre elas. Ações de governo, nesse sentido, seriam importantíssimas.

Jânio Holanda - Jornalista
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