Barbosas e Foguinhos: a vitalidade das sociedades abertas

Geraldo Filho
Artigo de autoria de Geraldo Filho – Sociólogo, Bacharel e Mestre: professor do Campus da UFPI de Parnaíba

Dois personagens chamaram atenção nas últimas semanas, um no nível nacional (o ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa) e o outro no plano local (o vereador eleito em 07/10/12 em Parnaíba, Foguinho).

Não discuto o mérito das qualidades e competências de ambos para o exercício de suas profissões. Quanto a isso há distância abissal entre as responsabilidades do ministro Joaquim Barbosa e as habilidades de mascate do Foguinho, que até aonde sei tornou-se conhecido vendendo cds e dvds pelo centro da cidade.

O que me interessa é ressaltar, para tantos que atentam contra as sociedades abertas e o capitalismo, disfarçados de promotores da justiça social e da democracia (esquerdistas em geral), a vitalidade dessa sociedade, que mesmo em um país cheio de contradições entre suas instituições sociais possibilita que indivíduos originários dos segmentos humildes da população possam ascender à posições mais elevadas.

Barbosa e Foguinho enfrentaram a batalha competitiva dos que habitam sociedades de livre mercado e, pelo menos até agora, estão sendo bem sucedidos. Sob o ponto de vista da Sociobiologia, estes dois homens podem ser considerados vencedores, pois trilhando caminhos distintos conseguiram abrir espaço na sociedade.

O ministro Joaquim Barbosa enfrentou a dura competição, aliás, mais longa, dos estudos e concursos públicos até atingir a mais alta corte do país. O Foguinho, que sequer conheço pessoalmente ou sei o grau de instrução, aproveitou as oportunidades que as regras do jogo político no Brasil permitem e em curto espaço de tempo transformou sua vida. Contra eles, além da condição de pobreza, jogava o fato de serem negros, numa sociedade de preconceitos velados. O que para mim, enaltece ainda mais suas vitórias.

Isso vale para qualquer um que tenha a sorte de ter nascido nas sociedades capitalistas liberais, cuja vitalidade decorre de elas reproduzirem, através das instituições sociais, a seleção competitiva que a natureza impõe às espécies animais e vegetais. Nelas, brancos, negros, índios, mestiços diversos, homoafetivos, gordos, magros, portadores de necessidades especiais, etc. cada qual com suas dificuldades, podem, lutando com a arma do conhecimento e com dons naturais próprios (sim, pois homens e mulheres quase “analfas” ganham rios de dinheiro explorando sua beleza), e atentos as oportunidades, ter uma trajetória de vida na qual seus desejos tenham sido realizados, pelo menos em grande parte, o que caracteriza uma vida de sucesso.

Ponham uma balança imaginária na sua frente, em um prato os desejos realizados, no outro os não realizados e se perguntem: qual o prato que pesa mais? A resposta será a medida de sua felicidade e sucesso.

Barbosa e Foguinho, na luta competitiva pela vida, derrubaram centenas de concorrentes que almejavam o mesmo objetivo, deram passos importantes para aumentar o peso do prato dos desejos alcançados na vida.


Por outro lado, se estes homens tivessem nascido em sociedades fechadas, dificilmente teriam a possibilidade de subir na vida por seus próprios méritos. Nessas sociedades os indivíduos não são livres para escolherem seus destinos, ficando subordinados às decisões dos pais (castas, como na Índia), da religião (muçulmanos), do partido (ditaduras comunistas do tipo URSS, Coréia do Norte e Cuba), das tradições tribais, etc.

Com a “ocidentalização” do mundo (fenômeno que se conhece como globalização), que se caracteriza pela expansão do livre mercado, da democracia liberal e das liberdades individuais, todas instituições sociais criadas nas sociedades abertas e capitalistas, as sociedades fechadas definharam drasticamente.

No caso do comunismo, em recém entrevista à Veja (outubro/2012), o poeta maranhense Ferreira Gullar, comunista histórico, fez “mea culpa” e disse que somente malucos acreditavam ainda nas idéias de Marx (infelizmente, as universidades brasileiras estão cheias desses tipos!) e que, ainda segundo ele, o capitalismo é invencível, pois reproduz os instintos da natureza humana.

Sociedades tribais não resistem ao fascínio que o contato com sociedades abertas exercem sobre elas, e rapidamente abandonam suas “tradições”, que são interessantes para quem observa de “fora”. Pergunte para um índio o que ele prefere: um machado de pedra e uma faca de osso, ou uma moto-serra e um facão; um arco e flecha, ou uma espingarda; uma cuia de cauim de caju, ou uma cerveja bem gelada; andar de canoa, ou andar de hilux e avião? A tendência natural dos humanos para melhorar suas condições de vida responde essas questões e pulverizam as tais “tradições”, típicas de sociedades fechadas tribais.

Compreende-se o porque de sociedades teocráticas muçulmanas temerem tanto o mundo das sociedades ocidentais abertas: se deixassem crianças e jovens entrar em contato com suas instituições sociais e posteriormente escolherem, elas seriam destruídas. No momento em que escrevo, uma adolescente afegã luta pela vida em hospital da Inglaterra, baleada que foi na cabeça por um fundamentalista talibã (pasmem, que quer dizer partido de deus!), como castigo por que a garota protestava reivindicando o direito de estudar!

Essa violência desmesurada que leva homens, de todas as idades (infelizmente, pois o disciplinamento do corpo e da mente começa na infância), às ruas muçulmanas para berrarem palavras de ordem anti-ocidentais, queimarem bandeiras americanas, perpetrarem atentados com homens-bomba e reprimirem mulheres, motivados por bobagens como charges ou filmes que satirizam Maomé ou por uma menina que deseja estudar, só tem uma explicação: nessas sociedades a repressão sobre a sexualidade e os prazeres afins é tão rigorosa que transborda em violência exagerada ante os estímulos mais tolos e pueris.

Imaginem os brasileiros numa sociedade onde o álcool é proibido; mulher de biquíni ou shortinho, nem pensar; motel, Deus me livre; masturbação é pecado grave e garota transar antes do casamento desonra a família e que por isso pode matá-la???!!! Imaginem ainda essa repressão toda numa fase da vida de homens e mulheres (juventude) em que os hormônios da sexualidade estão inundando os seus corpos!!! Pensando bem, numa sociedade como essa eu também estaria com raiva de todo mundo e terminaria por me explodir!
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