A seca está matando

Jânio Holanda
É lastimável, por assim dizer, mas o drama da seca no Piauí este ano pode servir de “prato cheio” para os humoristas - em nível estadual e nacional – acrescentarem nos shows e programas televisivos mais um capítulo anedotário sobre o Estado. Por incrível que pareça, os governos (federal/estadual) vieram achar a solução para dirimir o sofrimento dos famintos da seca num espaço de tempo equivalente há nove meses. Vocês sabem que solução é essa? Ora! Muito simples: o velho carro pipa e a tradicional distribuição de cestas básicas.

Coincidência ou não, esse é o tempo de gestação de um ser humano no útero da mãe. Em meio às disputas pelo domínio dos municípios atingidos no pleito passado todos os postulantes ao cargo de prefeito propuseram soluções para o problema. No entanto, o tempo foi passando as eleições passaram e a fome matando humanos e animais por conta dos efeitos da estiagem. Parece hilário, mas é o que está acontecendo no Piauí.

Segundo uma fonte da cidade de São Raimundo Nonato. O município dista cerca de 70 quilômetros da cidade de Fartura do Piauí, em viagem por esse percurso à referida fonte nos informou que, na estrada, cruzou por esse caminho com quatorze carros pipas transportando água. Apesar de servir apenas como um paliativo esses carros deveriam está realizando esse serviço antes de acontecer às mortes.

A mesma fonte disse-nos que em conversa informal com um grupo de moradores do município de João Costa - um dos mais castigados pela estiagem - foi informado por um deles que na localidade denominada São João Vermelho, neste ano até passarinho morreu de sede na comunidade, que dista apenas 25 quilômetros da sede.

Vejam vocês como a fome não aguenta esperar! Infelizmente são histórias verdadeiras que estão ocorrendo em nosso Estado, incrivelmente no século 21. Nos arredores do município, a situação é ainda mais precária. Moradores dividem com os animais a água suja que resta nos açudes: O povo adoece de diarreia, vômito. Se tivesse água para as já pessoas já tinha muita coisa, porque sem água não há vida.

Mas, uma cena que considero hilária e ao mesmo tempo cruel, é o conteúdo das cestas básicas. Dizem que elas são preparadas para serem distribuídas entre as vítimas com quatro quilogramas de arroz; cinco de feijão; cinco de milho e duas rapaduras.

Até aí tudo bem! Como gosta de dizer o apresentador Amadeu Campos. No entanto, meus caros humoristas, dizem ainda que o arroz vem com cascas e o milho em caroços para depois serem beneficiados (pilados) por conta da prefeitura municipal que receber o material.

Jânio Holanda - Jornalista
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