O atraso do desenvolvimento

Jânio Holanda
A cada eleição que se sucede neste país para cargos de prefeito, governador e até mesmo de presidente da república, o escolhido pelo povo através do voto se queixa do “buraco que encontrou” deixado pela gestão anterior. No entanto, as providências cabíveis ficam relegadas o segundo plano, tendo em vista que, dificilmente, o próprio substituto sempre realiza as mesmas proezas do antecessor quando o mandato está findando.

Quem acompanha os movimentos políticos neste país sabe muito bem que a maioria dos prefeitos eleitos e reeleitos para a segunda gestão quando indica um candidato e ele vence a eleição com o seu apoio, as divergências começam a aparecerem quando o antecessor assume. Não se atendem mais e acabam virando adversários ferrenhos por dois motivos: discordâncias administraitvas e o por causa da cobrança da indicação.

Ora! Convenhamos: neste imenso país chamado Brasil as oligarquias ainda reinam em diversas plagas, sem, contudo, deixarem de ser observadas pelo eleitor que, infelizmente, ainda sobrevive através de pequenos favores proporcionados pelos coronéis nas pequenas cidades interioranas.

Infelizmente, quem não lembra que antigamente qualquer pessoa que se negasse a votar no candidato indicado pelo coronel era vítima de violência física ou perseguição pessoal. Essa medida garantia que os mesmos grupos políticos se consolidassem no poder. Com isso, os processos eleitorais no início da era republicana eram sinônimos de corrupção e conflito. O controle do processo eleitoral por meio de tais práticas ficou conhecido como “voto de cabresto”, que embora em menor escala ainda exista.

Apesar do desaparecimento dos coronéis, podemos constatar que algumas de suas práticas se fazem presentes na cultura política de hoje do nosso país. A troca de favores entre chefes de partido e a compra de votos são dois claros exemplos de como o poder econômico e político ainda impedem a consolidação de princípios morais definidos nos processos eleitorais e na ação dos nossos representantes políticos.

É lamentável por assim dizer que essa prática aconteceu nas eleições municipais deste ano em vários municípios piauienses. A compra de votos e a utilização da máquina pública na campanha foram focos da justiça eleitoral, especialmente nos casos em que prefeitos disputaram a reeleição.

Para se ter ideia o Ministério Público Eleitoral registrou 35 prisões em todo o Piauí durante as eleições municipais de 2012. Dos detidos, quatro foram praticados por quem disputava cargos eletivos. E mais: os crimes eleitorais partiram, em alguns casos, por aqueles que deveriam ser os exemplos para seus eleitores. Portanto, havemos de convir que, aquele que se utiliza da compra de votos para se eleger não pode ser um bom representante para a população. Eis aí o porquê do atraso do desenvolvimento.

Jânio Holanda - Jornalista
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