O Brasil de sempre!

Geraldo Filho - Sociólogo
Artigo de autoria de Geraldo Filho – Sociólogo, Bacharel e Mestre: professor do Campus da UFPI de Parnaíba

O Brasil de sempre! (Ou o porquê nunca seremos uma potência.)

As manifestações dos últimos meses foram saudadas como sinal de que a população acordou para reivindicar direitos, significando nova consciência política, principalmente entre a juventude, e que por isso o país promete futuro promissor, mais justo e menos desigual... Jornalistas e professores universitários, razão pela qual o Brasil vive na indigência intelectual, foram os principais arautos dessa novidade alvissareira, pois ninguém foi capaz de identificar sua formação nos subterrâneos da sociedade... Para os esquerdistas, mesmo que os manifestantes os tenham repudiado, tratava-se, pela enésima, vez da crise do sistema capitalista, da exacerbação da luta de classes, da revolta do “precariado” (novo “sujeito histórico”, eu diria “fantasma histórico”, da revolução, que os marxistas inventaram, constituído pela classe média recém-formada, desejosa de consumir)... Mas, o que era isso mesmo, o que restou?!

Bem, acredito que haja um fato novo nisso tudo sim, a mobilização feita pela internet, através das redes sociais. Mas, e daí?! A utilização desse meio eletrônico só confirma que as pessoas têm acesso a computadores e mídias de comunicação de última geração, porém, por si, isso garante mudança qualitativa de visão de mundo, particularmente quanto às instituições políticas da sociedade brasileira?!

As reivindicações respondem a questão! Querem redução de tarifas de ônibus, querem melhor educação, querem mais saúde, querem o fim da corrupção, querem, querem...! Tudo isto são obviedades que se ouve pelas ruas do país há décadas, portanto, não representam nada de novo. Apenas a conclusão de que o Brasil é um país alienado de si mesmo, tal qual um esquizofrênico, que tem uma imagem de si absolutamente diferente do que ela verdadeiramente é. O Brasil é uma farsa, tal qual as demais sociedades também são, onde humanos que as integram inventaram o teatro das instituições sociais, para suportarem a tragédia de se ter a consciência de viver e morrer.

Acontece que cada drama farsesco desse, que corresponde a cada sociedade, pode ser mais ou menos deletério para seus indivíduos. Geralmente, os mais nefastos são aqueles encenados por sociedades que se agarram a dogmas religiosos e políticos, não são pragmáticos diante do desconcerto que é existir (nascer e morrer) provavelmente uma única vez, e querem ver profundidade em essências filosóficas e religiosas que não existem.

Para azar dos brasileiros, o país se enquadra na condição pior, pois suas instituições sociais não correspondem à realidade, daí o seu diagnóstico esquizofrênico.

Um europeu me perguntou qual o melhor livro que deveria ler para começar a compreender o Brasil, eu lhe recomendei “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto! Que eu reputo como o mais arguto e descritivo estudo antropológico da alma brasileira.

Provavelmente, a maioria esmagadora dos manifestantes que foram às ruas nunca leu ou ouviu falar. Aliás, com certeza não gostariam do protagonista Quaresma, pois um dos defeitos que lhe apontavam no livro era a compulsão para a leitura e o estudo. Exatamente o que não se pode dizer desses manifestantes. Fico embasbacado com a quantidade de energia gasta em passeatas e gritarias inconsequentes, depredação do patrimônio público e privado, cantorias do hino nacional sem fim (como se o hino fosse um mantra mágico, que entoado a exaustão pudesse modificar, como condão, a teimosa realidade!). Questiono-me, surpreso, se eles empenham a mesma quantidade de vontade cívica na hora dos estudos e nas salas de aula! Desconfio de que a resposta é negativa!

A visão desses jovens (alguns nem tanto) manifestantes é absolutamente superficial, consequência direta da falta de conhecimento intelectual real do país e do mundo. Apareceu na imprensa a foto de uma jovem carioca com o rosto coberto lendo “A História da Riqueza do Homem”, de Léo Huberman, um panfleto comunista escrito há quarenta anos. É de matar de rir, ou de chorar, uma menina com a mente culturalmente esclerosada e que é apontada como uma das lideranças do movimento.

Pergunto:

1. Por que os movimentos não pressionam por um novo tipo de legislação para se fazer licitações de contratação de serviços e compras públicas? Origem de toda a desgraça que atinge o gerenciamento da saúde, da educação e da execução de obras públicas, além de justificar porque tanta gente que ser político profissional no país.

2. Por que os movimentos não pressionam para endurecer a lei penal, com penas maiores, perpétua ou morte, para crimes de homicídio, seqüestro e estupro, em qualquer idade? Origem de maior parte da criminalidade hedionda que assola o país, incentivando a delinqüência desde a adolescência.

3. Por que os movimentos não pressionam para reestruturar o judiciário, principalmente a nomeação dos juízes do Supremo Tribunal Federal, onde se assiste, dia após dia, o resultado da interferência de um partido político através da atuação explícita de um ministro?

Não, com relação a isto, os movimentos silenciam. Por que será?

Conhecessem mais o mundo, lessem mais, ou assistissem atentamente os telejornais, os participantes dos movimentos teriam extraído lições de reportagem sobre um julgamento nos Estados Unidos que talvez lhes inspirassem.

Em menos de um ano, o caso de um sequestrador que manteve encarcerado por dez anos três garotas, que ao longo desse período foram violentadas, sofreram abortos e apanharam, foi a júri. No final do julgamento, além do desabafo da única vítima que se dispôs a assisti-lo no tribunal, mostrando sua satisfação com a condenação perpétua do réu, o juiz, ao ler a sentença lavrada por ele, olhando nos olhos do criminoso, disse: “... o senhor não tem condições de viver nesta sociedade; aliás, o senhor não tem condições de viver em nenhuma sociedade... ”, e o condenou a perpétua. Aqui, um palhaço travestido em defensor dos direitos humanos se preocuparia com a “re-socialização do réu”.

Isso diz muito da diferença entre nós e eles. Mas, para concluir, além de todas as instituições sociais que tanto maltratam os brasileiros, ainda aparece um governo abaixo do medíocre, que além de estar enterrando o país economicamente, resolve trazer gente de fora, na área médica, para ocupar as vagas dos futuros formandos brasileiros em medicina, isso é crime de traição, de lesa-pátria! É prioridade do Estado defender o seu povo, a começar por preservar vagas no mercado de trabalho para as gerações futuras. Os jovens médicos e os que um dia se tornarão não têm culpa se prefeitos, governadores e presidentes não constroem e equipam eficientemente e eficazmente hospitais e pronto-socorros, se lhes derem condições eles irão onde os doentes estão. Mas, por que não são construídos e equipados corretamente?! Aí se retorna para o problema da Lei de Licitações! Percebem como as coisas se relacionam?!  

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